segunda-feira, 16 de julho de 2007

Ânsia

Autor: Alexandre Faccioni Barcellos

essa poesia foge ao conteúdo desse blog, mas por considerá-la expressão de minha'lma, julgo ser pertinente compartilhar.

eu queria estar ai...
enroscando meus dedos
na maciez dos teus cabelos
passando de leve minha
mão pelo contorno do teu rosto
te beijando com a mesma ânsia
de um "primeiro e único encontro"
te desejando com a certeza
que muitos ainda virão.
olhar teus olhos com a ternura de quem olha a alma
beijar tua boca com a ganância de quem olha o corpo
sentir o momento com a ignorância de um adolescente
quando frente a frente está num primeiro encontro
te sentir em mim com a certeza de que serás minha...
a partir daquele momento...
minha.


truco adelante !!

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Campeando a estrada

Autor: Alexandre Faccioni Barcellos

EU ESCREVI ESSES VERSOS CAMPEANDO A LONGA ESTRADA
FITANDO O NORTE E O NADA REVENDO MEUS PENSAMENTOS
EM CADA NOTA QUE A GAITA DÁ O AR DE SUA GRAÇA
MEU PRAZER SE ADELGAÇA COM SELETA DISTINÇÃO

CADA FLOREIO QUE EXTERNA EXALA MINHA VONTADE
MINHA SENSIBILIDADE COM A GAITA NA MINHA MÃO
E TE TENHO SEMPRE EM MENTE POVOANDO MEU PENSAMENTO
ÉS DONA DO SENTIMENTO MAIS NOBRE DO QUE O PERDÃO

TE QUERO SEMPRE COMIGO PRA CONTIGO DIVIDIR
O ANTES E O PORVIR DE UMA VIDA QUE CAMPEEI
DESSE JEITO EU BUSQUEI NOS BRAÇOS DE ALGUNS SONHOS
O NEGRO DESSES TEUS OLHOS QUE UM DIA ENCONTRAREI

truco adelante !!

campeando - procurando, olhando, cuidando
adelgaça - trabalhar tirando gordura e excesso de alguma coisa... geralmente cavalos antes de carreiras são adelgaçados
floreio - improvisações

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Lendas do Rio Grande - Salamanca do jarau

Origem: Livro "Mitos e Lendas do Rio Grande do Sul"
Antonio Augusto Fagundes.
Martins Livreiro Editor. 1996.

No tempo dos padres jesuítas, existia um moço sacristão no Povo de Santo Tomé, na Argentina, do outro lado do rio Uruguai. Ele morava numa cela de pedra nos fundos da própria igreja, na praça principal da aldeia.

Ora, num verão mui forte, com um sol de rachar, ele não conseguiu dormir a sesta. Vai então, levantou-se, assoleado e foi até a beira da lagoa refrescar-se. Levava consigo uma guampa, que usava como copo.

Coisa estranha: a lagoa toda fervia e largava um vapor sufocante e qual não é a surpresa do sacristão ao ver sair d'água a própria Teiniaguá, na forma de uma lagartixa com a cabeça de fogo, colorada como um carbúnculo. Ele, homem religioso, sabia que a Teiniaguá - os padres diziam isso!- tinha partes com o Diabo Vermelho, o Anhangá-Pitã, que tentava os homens e arrastava todos para o inferno. Mas sabia também que a Teiniaguá era mulher, uma princesa moura encantada jamais tocada por homem. Aquele pelo qual se apaixonasse seria feliz para sempre.

Assim, num gesto rápido, aprisionou a Teiniagá na guampa e voltou correndo para a igreja, sem se importar com o calor. Passou o dia inteiro metido na cela, inquieto, louco que chegasse a noite. Quando as sombras finalmente desceram sobre a aldeia, ele não se sofreu: destampou a guampa para ver a Teiniaguá. Aí, o milagre: a Teiniaguá se transformou na princesa moura, que sorriu para ele e pediu vinho, com os lábios vermelhos. Ora, vinho só o da Santa Missa. Louco de amor, ele não pensou duas vezes: roubou o vinho sagrado e assim, bebendo e amando, eles passaram a noite.

No outro dia, o sacristão não prestava para nada. Mas, quando chegou a noite, tudo se repetiu. E assim foi até que os padres finalmente desconfiaram e numa madrugada invadiram a cela do sacristão. A princesa moura transformou-se em Teiniaguá e fugiu para as barrancas do rio Uruguai, mas o moço, embriagado pelo vinho e de amor foi preso e acorrentado.

Como o crime era horrível - contra Deus e a Igreja! - foi condenado a morrer no garrote vil, na praça, diante da igreja que ele tinha profanado.

No dia da execução, todo o Povo se reuniu diante da igreja de São Tomé. Então, lá das barrancas do rio Uruguai a Teiniaguá sentiu que seu amado corria perigo. Aí, com todo o poder de sua magia, começou a procurar o sacristão abrindo rombos na terra, um valos enormes, rasgando tudo. Por um desses valos ela finalmente chegou à igreja bem na hora em que o carrasco ia garrotear o sacristão. O que se viu foi um estouro muito grande, nessa hora, parecia que o mundo inteiro vinha abaixo, houve fogo, fumaça e enxofre e tudo afundou e tudo desapareceu de vista. E quando as coisas clarearam a Teiniaguá tinha libertado o sacristão e voltado com ele para as barrancas do rio Uruguai.

Vai daí, atravessou o rio para o lado de cá e ficou uns três dias em São Francisco de Borja, procurando um lugar afastado onde os dois apaixonados pudessem viver em paz. Assim, foram parar no Cerro do Jarau, no Quaraim, onde descobriram uma caverna muito funda e comprida. E lá foram morar, os dois.

Essa caverna, no alto do Cerro, ficou encantada. Virou Salamanca, que quer dizer "gruta mágica", a Salamanca do Jarau. Quem tivesse coragem de entrar lá, passasse 7 Provas e conseguisse sair, ficava com o corpo fechado e com sorte no amor e no dinheiro para o resto da vida.

Na Salamanca do Jarau a Teiniaguá e o sacristão se tornaram os pais dos primeiros gaúchos do Rio Grande do Sul. Ah, ali vive também a Mãe do Ouro, na forma de uma enorme bola de fogo. Às vezes, nas tardes ameançando chuva, dá um grande estouro numa das cabeças do Cerro e pula uma elevação para outra. Muita gente viu.

e assim reza a lenda...

truco adelante !!

segunda-feira, 7 de maio de 2007

A pedido

não que isso vá ficar eternizado nesse espaço somente, mas acredito que realmente fique eternizado na memória e nos corações que se identificarem com essa mensagem.

Feliz aniversário... que esses momentos se repitam e perpetuem-se na memória dos teus entes e dos teus Amigos.

Toda amizade é uma história particular
é uma história de conquista
primeiro, descobre-se o outro
todo mundo parece igual, mas não é
e é justamente essa coisinha diferente
em cada um que torna cada pessoa única
e de repente ali está a sementinha da
amizade fecundada
a gestação começou

a sensibilidade do outro nos toca
dá até vontade de chorar
não sabemos direito o porque de nos
entirmos próximos de alguém
assim tão longe, tão diferente e tão igual
mas amizade, como o amor
não se questiona, vive-se, ela e por ela.

bendita seja essa gestação
sem prazo, sem tempo, sem hora marcada
bendito seja essa amizade, prova de que Deus
se fez conhecer através das
pessoas que alcançam nosso coração.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Velha tapera

Autor: Alexandre Faccioni Barcellos

VELHA TAPERA NA PAMPA A PAR DA CERCA DE PEDRA
LUGAR DONDE O MEDO ENVEREDA QUANDO BATE A SOLIDAO
E É DIFICIL PRO PEAO MANTER O TINO CAMPEIRO
QUANDO O DEMONIO ESTRADEIRO SE INSTAURA NA ESCURIDAO

NESSAS HORAS O VIVENTE SE APEGA DA RELIGIAO
E NEM A TAL COMUNHAO QUE O TAURA TEM COM VENTO
RETIRA DO ATADO DO TENTO A ANSIA AO CRUZAR CANCELA
E A REZA FALA POR ELA ATENDENDO A UM LAMENTO

O TROTEZITO APERTADO QUEBRA O SILÊNCIO DA NOITE
O PALA FAZ SEU ACOITE ILUMINADO DA PRATA
DO BRILHO QUE ARREBATA DA LUA PASSARINHEIRA
COMPANHIA DERRADEIRA QUE ANTECEDE SUA JORNADA

NO TROTE DO BAIO GATEADO CRIOULO POR NATUREZA
A MAESTRIA E DESTREZA DA MAO DO TAURA A GUIAR
O CAVALO E O PENSAR QUE JA PASSA DA TAPERA
E UM FANTASMA QUE ESPERA O BRAVO TAURA PASSAR

truco adelante !!

tapera - casa abandonada, construção em ruínas
envereda - toma rumo
cancela - porteira num cercado, passagem
trotezito - cavalgadura antes do cavalo galopar
passarinheiro - assustado, que se esconde
baio gateado - pelagem de cavalo, cor proxima a um laranja fraco, com uma lista no lombo

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Estrela pagã

Autor: Alexandre Faccioni Barcellos

PASSA O TEMPO, PASSAM-SE MADRUGADAS CAMPEIRAS
NESSAS NOITES SERESTEIRAS DE LUA ALTA ALUMIANDO
NOS CONFINS DESSE MEU PAGO VOU COM O PALA EMBARGADO
DE SAUDADES CABORTEIRAS

CRUZANDO ESSES CORREDORES ACOMPANHAM VAGALUMES
A ILUMINAR PENSAMENTOS REMINISCÊNCIAS PERDIDAS
QUE VAGUEIAM CLANDESTINAS, ORIGINÁRIA VERDADE
DONA PLENA DA SAUDADE, SENTIMENTO DE DOIS GUMES

AO CAMPEREAR COMPANIA, REPARO NA IMENSIDÃO
E DE UM ASTRO O CLARÃO QUE ME INDICA O CAMINHO
ILUMINANDO SOZINHO ME MOSTRANDO O AMANHÃ
COMO ESTRELA PAGÃ INDIFERENTE AO DESTINO

O VENTO QUE ME ACOMPANHA, INSÓLITA NATUREZA
TRAZ-ME DE VOLTA A BELEZA EMALANDO POESIA
DESSA FIGURA ARREDIA QUE POVOA PENSAMENTOS
E ACOMPANHA ESSES MOMENTOS DE EXTREMA FANTASIA

ASSOVIANDO LEVA O PERFUME DE UMA FLOR MADRUGADEIRA
DESSAS QUE A VIDA INTEIRA GASTO O TEMPO A PROCURAR
SENTINDO ESSE AROMA ADOCICADO DE ESPERA
FAÇO DE RANCHO TAPERA CAMPEREANDO TE ENCONTRAR

truco adelante !!

alumiando - iluminando, clareando
embargado - embaraçado, atravancado
caborteiras - indomáveis, arredias
Corredores - estradas
vagalumes - pirilampos
tapera - casa abandonada
campeireando - percorrendo o campo em busca de alguma coisa

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Pra começar bem a semana

recebi essa piada do meu parceiro/irmão cleverson... e pelo teor, julguei conveniente repassar. segue na íntegra:

Durante escavações nos EUA, arqueólogos descobriram, a 100 m de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam de do ano 1000. Os americanos concluíram que seus antepassados já dispunham de uma rede telefônica naquela época.

Os argentinos, como sempre, para não ficarem para trás, escavaram também seu sub-solo, encontrando restos de fibras ópticas a 200 m de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que elas tinham 2.000 anos de idade. Os argentinos concluíram, triunfantes, que seus antepassados já dispunham de uma rede digital a base de fibra óptica quando Jesus nasceu!

Uma semana depois, no Rio Grande do Sul, foi publicado o seguinte anúncio: "Após escavações arqueológicas no sub-solo de Bagé, Santa Maria, Pelotas, Chui, Cotiporã, Fagundes Varela, Vila Flores, Vila Maria, Pareci Novo, Itapuca e diversas outras cidades, até uma profundidade de 500 metros, os cientistas gaúchos não encontraram absolutamente nada. Eles concluem que os antigos gaúchos já dispunham, há 5.000 anos, de uma rede de comunicações wireless."

"Não podemo se entregá pros home de jeito nenhum... tchê!!!"

truco adelante !!

quinta-feira, 29 de março de 2007

Nossas vidas

Autor: Alexandre Faccioni Barcellos

EU FICO A TE PROCURAR EM CADA CANTINHO DO MEU CORAÇÃO
TENTEANDO TALVEZ ENCONTRAR O MOTIVO REAL DE UMA SEPARAÇÃO
MEU PEITO CHORA ESSA DISTÂNCIA LAMENTA A ANGUSTIA DE UMA PAIXÃO
TAL QUAL UMA CHAMA PERENE QUE SEM QUEROSENE TEM FIM NA ESCURIDÃO

TODOS OS ANOS QUE SE PASSARAM TROUXERAM DE VOLTA MINHA INSPIRAÇÃO
PORQUE ESTIVE SEMPRE AO TEU LADO PRESENTE E AUSENTE NESSA RELAÇÃO
NA LIDA QUE TINHA POR DIANTE A VIDA ESCASSEAVA O TEMPO DO PEÃO
SEM SABER QUE ESTAVA TE PERDENDO ACEITE AS DESCULPAS NA VOZ DA CANÇÃO

MINHA PRENDINHA TE GUARDO SEGURA NOS MEUS PENSAMENTOS
TE LEVO PRA LIDA ATADA NOS TENTOS
FIGURA CONSTANTE NAS MINHAS RETINAS
OUVE A MELODIA QUE EMBALA E COMPASSA ESSE MEU SENTIMENTO
QUE MARCA PRA SEMPRE ESSE NOSSO MOMENTO
PORQUE ÉS RESPONSÁVEL PELO QUE CATIVAS

truco adelante !!

segunda-feira, 26 de março de 2007

Paz por herança

Esse post vai aos amigos que conquistei enquanto posteiro da invernada juvenil do CTG Galpão Campeiro da cidade de Erechim/RS.
Essa música foi tema de entrada, criada por Luiz Geraldo da Silveira, para esse grupo que foi uma das melhores equipes com quem tive o privilégio de trabalhar.
Gracias aos amigos que por lá eu fiz.


Boa sorte gurizada !!!

Em tempos em que a intolerância habita e reina absoluta no nosso meio, uma letra que clama, acredito que não em vão, pela paz, sem nunca esquecer feitos e a coragem do nosso povo.


Autor: Alexandre Faccioni Barcellos

UM DIA O SOL SE ERGUERÁ
LAÇANDO HORIZONTES SEDENTOS DE PAZ

DE PAZ MEU RIO GRANDE DO SUL
JUSTIÇA DE MEUS ANCESTRAIS
PELEIAS, HISTÓRIAS SANGRENTAS
FORJANDO NOSSOS IDEAIS

HOJE GLÓRIAS AO POVO GAÚCHO
HONRA, VIRTUDE QUE TRAZ
OUTRORA AGÜENTASTE O REPUCHO
E AGORA LUTAS PELA PAZ

SIM, EU SOU DESTA TERRA
GAÚCHO É O MEU CORAÇÃO
SENTIMENTO QUE AFLORA NA PELE
QUANDO N’ALMA BROTA DEVOÇÃO

truco adelante !!

peleia - Brigas, desentendimentos
repucho - reação

quinta-feira, 15 de março de 2007

Sabedoria

"Aprender com os erros
Crescer com o sofrimento
Fortalecer-se com o desafio
Encorajar-se diante do medo
Calar-se na hora certa
Saber ouvir mesmo que lhe falem fora de hora
Valorizar o que realmente tem valor
São alguns dos aprendizados que só a escola da vida nos proporcionará ! "

esse trecho foi retirado de um livro espírita que prometo referenciar numa próxima oportunidade.

truco adelante !!

sexta-feira, 2 de março de 2007

Chasque com a lua

Esse post vai em homenagem ao meu Amigo irmão Cleverson

Abraço tchê !!

Autor: Alexandre Faccioni Barcellos

ENQUANTO A LUA CONTEMPLO
A ME PASSAR INSPIRAÇÃO
E CAMPEAR ALGUM EXEMPLO
QUE ME ACALME O CORAÇÃO

SIGO SEU CONSELHO PRATEADO
A ME INSTIGAR PERSEVERANÇA
DE EXTINGÜIR UM AMOR ATADO
QUE SÓ VIVE DE LEMBRANÇA

DO REAL EU FAÇO VERSOS
E OS EMBALO EM MEU POEMA
QUE TE SEGUEM COMO BEIJOS
DE LÁBIOS SEM VIVA ESSÊNCIA

ESSE SENTIR QUE EU TRAGO
ENCLAUSURADO NO PEITO
QUE ARDE TODO MOMENTO
É POR NÓS DOIS QUE CARREGO

JÁ NÃO SEI O QUE FAZER
PRÁ QUE ME DIGAS UM SIM
E ACREDITES QUE EU TE AMO
POR FAVOR, VOLTA PRÁ MIM

truco adelante !!

Chasque - Conversa ligeira, informal. bate-papo.

Grupo dos oito


Sem nunca, e em hipótese alguma, desmerecer a história e cultura dos outros Estados brasileiros, até porque somos filhos da mesma terra e hoje vivemos sob a mesma regência política e social, gostaria de falar sobre um fato que, na minha singela ótica, foi uma realização que, mesmo sem maiores pretensões, seus executores obtiveram a felicidade de externalizar um sentimento incipiente dentro de cada Gaúcho à época e, desde então, observar esse carinho e orgulho do Gaúcho seguir crescendo imensuravelmente e a olhos vistos.

vou me permitir abrir um parênteses para exemplificar o que acabo de escrever.
Será que me engano ao citar que os Gaúchos entoam seu Hino Estadual em celebrações oficiais e até em estádios de futebol ? sejam Colorados ou gremistas, torçam pelo juventude ou pelo XY de campo bom, os versos invariavelmente ecoam sonoros e emocionados por cada palmo de chão, estejam esses onde estiverem. Isso sem falar no glorioso Pavilhão que e ostentando na maioria dos nossos veículos. Fechado o parênteses.

Cito como o Movimento Tradicionalista começou, ou como foi plantada essa semente que brotou e continuou dando frutos ao passar nos anos. No mês de Agosto de 1947, na capital Gaúcha, povada na época, também, por estudantes oriundos do meio rural, eclodiam idéias de revitalização da cultura sul-riograndente no ambiente urbano, pois esses Gaúchos mantinham fortes laços com sua origem e, dessa forma a estariam perpetuando. Um forte e respeitável centro de ensino, o Colégio Júlio de Castilhos abrigava alguns estudantes com essa característica, entre eles o jovem Paixão Cortes que, empreendedoramente, fundam um Departamento de Tradições Gaúchas no próprio colégio onde estudavam. Essa idéia foi aos poucos tomando corpo e adeptos e como consequência direta surge a chamada Ronda Crioula, que extendia-se do dia 7 ao dia 20 de setembro.

Graças a conivência do Major Darcy Vignolli, responsável pela organização das festividade da "Semana da Pátria", foi retirada uma centelha do Fogo Simbólico da Pátria para transformá-la em Chama Crioula com o intuito de reinterar a união do Rio Grande à Pátria, extendendo as festividades do dia 7 ao dia 20 de setembro, data magna do Estado do Rio Grande do Sul. Na oportunidade, Paixão recebeu o convite para criar uma corpo de guarda de Gaúchos pilchados em honra ao herói da Revolução Farroupilha, David Canabarro, que seria transladado de Santana do Livramento para Porto Alegre.

Para atender o inusitado e honroso convite, reuniu-se com oito companheiros e montaram um piquete e, todos muito bem pilchados, em 1947, mais precisamente no dia 5 de setembro, prostraram-se orgulhosos numa homenagem a Canabarro. Esse piquete ficou conhecido como o Grupo dos Oito (Piquete da Tradição). Foi semente para a criação do "35" CTG. Os precursores, em ordem alfabética são:

Antônio João de Sá Siqueira,
Cilso Araújo Campos,
Ciro Dias da Costa,
Cyro Dutra Ferreira e
Fernando Machado Vieira,
João Carlos Paixão Cortes,
João Machado Vieira,
Orlando Jorge Degrazzia.

juntou-se a eles também o inesquecível e saudoso Barbosa Lessa.

pesquise sobre a história do RS. todos crescemos com isso...


truco adelante !!

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

TIPo bixo

O título de Leal e Valorosa Cidade de Porto Alegre foi concedido pelo Império à cidade, em 19 de outubro de 1841, em função da histórica resistência empreendida contra o Exército Farroupilha em suas investidas para a tomada da cidade, pois era considerada por este de fundamental importância para a continuidade da campanha.

truco adelante !!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Sem escolha

Autor: Alexandre Faccioni Barcellos

TE ANINHA CARENTE EM MEUS BRAÇOS MINHA PRENDA
E ME AQUENTA INVERNIA COM O CALOR DE TEUS LÁBIOS
ESSE VULTO SAGRADO QUE EM TEU CORPO EU VISLUMBRO
E A VONTADE INERENTE DE SER TEU PARA SEMPRE

COMO EU TE QUERO TU NEM IMAGINAS
NEM TAMPOUCO ACREDITAS NESSE POBRE PEÃO
FERINDO SEU CORAÇÃO CADA VEZ QUE SUPLICA
TUA VOLTA PRO RANCHO NO CALOR DA PAIXÃO

EU NÃO ACREDITO NO QUE ME FASCINA
E MAIS ME ADMIRA ESSE AMOR TAPERA
SOBREVIVE ENTRE CINZAS DE PAIXÃO JUDIADA
E GALOPA MUI TRISTE POR ESSA INVERNADA

E AOS BERROS SE VAI PARA UM FUNDO DE CAMPO
ENCONTRAR SEU DESTINO NUMA CERCA ESTOURADA
QUAL POTRA MAL ENFRENADA EM NOITES SEM LUA
QUE O BREU DESSA VIDA SE APOSSA E CULTUA

A PARTIR DE AGORA SE MANDA “A LA CRIA”
ENCONTRAR UM REFÚGIO EM UMA OUTRA ESTÂNCIA
ESSE AMOR SEM RETORNO CASTIGA A VIVÊNCIA
DUM TAURA QUE AMANDO TEIMAVA E NÃO VIA.

truco adelante !!

invernia - frio, baixa temperatura
prenda - mulher gaucha, analogamente chamada de prenda em função de rara beleza, mimo
invernada - local de pastagem para o gado. Cada estância geralmente tem mais de uma invernada. Também utilizada para designar "setores" de um CTG - Centro de Tradições Gaúchas (Invernada campeira, invernada artística...)
a la cria - já explicitada em posts anteriores
estância - já explicitada em posts anteriores
taura - já explicitada em posts anteriores
tapera - moradia abandonada, em ruínas ou mau estado de conservação
cerca estourada - local onde existe uma brecha em uma cerca de arame

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Guria dos meus encantos

Autor: Alexandre Faccioni Barcellos

Essa minha poesia foi transformada em música, gravada pela acit, pelo grupo Chiquito & Bordoneio, no seu 4º cd e é resultado de uma parceria com o Ronildo de Andrade Pontes (Canhoto) e Mauro Lanfredi. Grande sucesso e abraço à familia Bordoneio.

QUERIA FAZER UM CHAMAMÉ PRO AMOR
FAZÊ-LO VIBRAR DENTRO DO SEU CORAÇÃO
GURIA DOS MEUS ENCANTOS ESCUTA ESTA CANÇÃO
QUE EMBALA MEUS SONHOS MOÇOS NA VOZ DESTE CANTOR

ME MOSTRA TODO ENCANTO QUE O TEU SORRIR CONTÉM
COM TEU JEITO TÃO GRACIOSO, OLHAR MALICIOSO
QUE UM DIA DIRÁ TAMBÉM, TE QUERO JUNTO AO MEU CORPO
ESTAMPANDO ESSA FELICIDADE
TE AGUARDO GINETEANDO ÂNSIAS E DOMANDO ESSA SAUDADE

EU SINTO TEU PERFUME EXALANDO PELA SALA
SONHO EM CASAR CONTIGO PRO MEU RANCHO TE LEVAR
NÃO SEI SE EU TE ESPERO OU ARRISCO EM TE BUSCAR
SEU AMOR É TUDO O QUE EU QUERO ESTÁ ESCRITO EM MEU OLHAR

truco adelante !!

chamamé - ritmo musical binário
ginetear - aguentar trancos em cima do lombo de um animal ainda não domado

Lendas do Rio Grande - Negrinho do Pastoreio

Esta pintura está localizado no Palácio Piratini, Sede do governo do Rio Grande do Sul em Porto Alegre, e é do mestre Italiano Aldo Locatelli.

Bueno... ao aceitar a sugestão do meu Amigo André, começo a falar das coisas do pago, inclusive suas lendas e tradições.

Saliento que existem algumas versões para a mesma lenda, mas como não tenho a pretensão de ditar normas e sim repassar mui humildemente alguma coisa da nossa gloriosa e abundante cultura, vou citar, suscintamente o que reza a lenda como me foi, atavicamente, passada.

Nos tempos de escravidão, perto do final do século XIX, em alguma estância nos pagos do Rio Grande do Sul, um estancieiro, sem piedade alguma em seu coração, manda um dos seus escravos, um negrinho, beirando os quatorze anos, pastorear seus cavalos e que os trouxesse em segurança até a sede da estância. Ao chegar com a tropilha, feliz por julgar estar obedecendo á risca a ordem do patrão, o negrinho foi impiedosamente chicoteado, pois o patrão percebeu a falta de um dos seus cavalos, um baio de cabos negros. Após a surra, ainda teve, o negrinho, que retornar ao campo para localizar o cavalo extraviado. Localizando-o, após horas de procura sob a luz ínfima de uma vela, o negrinho ainda, em frustrada tentativa de laçar o animal, vê o laço estourar e afastar ainda mais o objeto de sua procura. Não conseguindo êxito na sua campereada, este volta para a estância com o coração apertado e com a certeza de mais um castigo, fato que realmente se concretizaria através das mãos fortes e da transferência odiosa do castigo repassado contundentemente pelos tentos de um chicote. Não obstante a isso, o patrão ainda o deixa nu, e como forma de castigo mais cruel pelo ocorrido, o amarra em cima de um formigueiro no campo para que as formigas ainda o torturassem com suas picadas. Passado um dia do ocorrido, e sem remorso algum em sua consciência, o patrão foi ao local para verificar o estado do negrinho que, para seu espanto e incredulidade, estava em pé, sem marca alguma dos ferimentos das formigas e das chicotadas sobre a pele e com a Virgem Nossa Senhora ao seu lado. O patrão então caiu de joelhos implorando perdão, pedido que não foi nem sequer respondido pelo negrinho, que após beijar a mão da Nossa Senhora, partiu montado no baio ponteando a tropilha.

Desde então, ao se perceber o extravio de alguma coisa, apela-se ao Negrinho do Pastoreio, acendendo um toco de vela, para que ajude-nos a encontrar o bem:

Foi aqui que eu perdi
Mas Negrinho vai me ajudar
e se ele não achar
Ninguém mais conseguirá!

e assim reza a lenda...

truco adelante !!

estância - propriedade rural
pagos - referencia a terra, localidades e/ou cidades
pastorear - analogia ao pastor. cuidar e/ou buscar ovinos/bovinos/equinos
tropilha - coletivo de animais - equinos
baio de cabos negros - pelagem de cavalo - ja descrito em topicos anteriores
laço estourar - diz-se que o laço estoura quando ele arrebenta os tentos trançados
extraviado - perdido, sem localizacao exata
chicote - artefato com tentos (tiras de couro cru) trançadas na ponta de um cabo de madeira utilizados para castigar animais
ponteando - ir a cavalo à frente da tropilha

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Culto ao tradicionalismo


Sempre achei complicado descrever sobre a origem das coisas... tudo tem uma origem e essa vem, ao longo do tempo, agregando conceitos, novas informações e conhecimento, bem como algumas mudanças e reavaliações.

Por isso, graças ao Patrão lá de cima, estamos em constante evolução.
Nessa hora remeto-me à cidade de Lavras do Sul, no interior, região da campanha do Estado, onde todo esse meu deslumbramento pela vida e cultura gaúcha teve o seu início.

A rude e quase que inconsequente lida do campo, o linguajar próprio do Homem do basto - um centauro nas tarefas diárias de lidar com o gado, seja numa marcação rudimentar ou no transporte de animais pelas estradas, entre estâncias, foram premissas inquestionáveis da forja do meu caráter.

Impossível não citar alguns nomes como o do Tio Agápio, Tio Miguel, o grande Tio Bonifácio, legatários de uma cultura inabalável que, atavicamente, propaga-se para um guri da cidade grande, o Alexandre. Momentos que me vem novamente a lembrança instigam-me fervorosamente a repassar, através das humildes poesias que faço, dos acordes que acompanham algumas das minhas músicas, o cerne da cultura gaúcha.

Gostaria de deixar registrado aqui, o meu orgulho de ter, por alguns momentos, residido em Lavras, terra de gente hospitaleira, sensível, com grandes nomes da nossa cultura, seja no teatro e televisao ou musicos de renome e qualidade inquestionável, como o parceiro Gujo Teixeira.

Muito obrigado tchê, pela semente plantada no meu coração, e podem ter certeza que essa deu frutos e, estou semeando em novos corações essa mesma alegria.

truco adelante !!

Beijo do vento

Autor: Alexandre Faccioni Barcellos

A BRISA QUE TE ABENÇOA SUAVE AO TE TOCAR
ANSEIO ASSIM TE BEIJAR NUM TOQUE CURTO E SUBLIME
TAL QUAL NOTA EM MESMO TIMBRE QUE RESSOA AO QUARTO VENTO
NUM BAILAR DE UM TANGO LENTO BEM AJOJADO EM POESIA

MINHA PRENDA QUANTO CIÚME DESSE VENTO DOMADOR
QUE ME MOSTRA O ESPLENDOR DE UM BEIJO LEVE E QUENTE
SENTIDO MAIS QUE ARDENTE NESSE MEU PEITO AFLORA
AO PERCEBER QUE LÁ FORA É O VENTO TEU CONFIDENTE

TUDO DESPERTA NUM BEIJO, PAIXÃO LOUCA E DERRADEIRA
DE TODAS A VERDADEIRA QUE LEVA O TAURA À LOUCURA
ENCERRANDO UMA PROCURA DE ANOS A ESMO E A FIO
QUE PÕE FIM AO DESAFIO DE VIVER SEM PARADEIRO

QUANDO EM PASSAGEM TE VEJO ENFEITIÇANDO O HORIZONTE
MESMO DE LONGE O SEMBLANTE ATIÇA MINHA VONTADE
DE PERDER A LIBERDADE E JUNTO A TI EU VIVER
PARA QUE EU POSSA FAZER O QUE FAÇO, JUNTO A TI

ESSE VENTO QUE ENSINA E DOMA CERTAS AGRURAS
DE ALGUMAS DESVENTURAS QUE TIVE QUANDO ERA MOÇO
SOMENTE ELE EU OUÇO QUANDO MEU PEITO APERTA
E TOMO QUASE POR CERTA A DIREÇÃO QUE ELE APONTA

MAS AINDA NÃO APRENDI FAZER COMO FAZ O VENTO
EM UM DADO MOMENTO DAR UM BEIJO SEM TOCAR
ENTÃO FICO A TE OLHAR E PONTEAR MEU PENSAMENTO
E ABRIGO DENTRO DO PEITO ESSE CINCHADO AMAR.

truco adelante !!

Cinchado: apertado, derivado da cincha, artefato para prender o basto (sela) ao corpo do cavalo

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Tradução

Bom.... tenho recebido, ainda bem, vários elogios, pela iniciativa, pelo teor, consistência e profundidade dos versos que escrevi, mas também algumas solicitações de tradução de algumas palavras, cujo cunho extremamente regional e campeiro, impedem o perfeito entendimento dos versos.
Então resolvi adotar a seguinte postura: vou colocar ao final da poesia, a tradução desses termos para que os leitores possam consultá-los e, destarte, entender o seu escopo.

obrigado aos visitantes e, por favor, se tiverem quaisquer dúvidas, sugestões ou ainda reclamações, entrem em contato comigo, ok ?

truco adelante !!

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Tempo perdido

Autor: Alexandre Faccioni Barcellos

CLAREIA O DIA

SE MANDA A LÁ CRIA UM GURI MAL DOMADO
SEU JEITO ENTONADO GAÚCHO QUE OSTENTA
CAMPEIRO DE NASCENÇA HERDEIRO DE CAMPANHA
SÓ DEUS O ACOMPANHA NESSA SUA JORNADA

PIÁ QUE A LO LARGO UM DIA SE EXTRAVIOU
PRÁ MOSTRAR QUE VINGOU ESSE SANGUE FARRAPO
DE SEU PAI TAURA GUAPO HERANÇA BRAVIA
AINDA QUE TARDIA SEU VALOR MOSTRARÁ

DEIXA CHORANDO NA PORTA DO RANCHO
SUA MÃE QUE ABANANDO ABENÇOA O SEU FILHO
QUE NA POEIRA SUMINDO ATRÁS DA COXILHA
NUM GALOPE APERTADO JUDIANDO UM TORDILHO

CAMPEANDO ENCONTRO DE OUTRA REALIDADE
VAI BUSCAR NA CIDADE O QUE O CAMPO NÃO DEU
ESSE ÍNDIO GINETE RODA FEIO E LEVANTA
E O TOMBO NÃO ESTANCA A VONTADE DE VENCER

TROCOU A BOMBACHA E A BOTA CAMPEIRA
NÃO USA MAIS A CHILENA NUM BAILE DE GALPÃO
FUZARCA EM MARCAÇÃO SÓ TRAZ NA MEMÓRIA
POIS ASSIM FEZ HISTÓRIA QUE CORTA O CORAÇÃO

E OS ANOS QUE PASSAM A TRAMAR MAIS OS TENTOS
DESSA LONGA EXISTÊNCIA BEM LONGE DOS SEUS
CHANGEANDO EXPERIÊNCIAS CURTIDAS A FEL
FAZ BUSCAR O CHAPÉU PARA DE NOVO PARTIR

E MONTA DE NOVO NUM BAIO GATEADO
PRÁ FAZER RUMO CONTRÁRIO DO QUE O LEVOU
O CORREDOR NESSA VOLTA PARECE COMPRIDO
E O TAURA CONTRITO PRÁ SUA TERRA VOLTOU

E NO RANCHO AO CHEGAR ENCONTRA O AFAGO
DO VELHO QUERIDO QUE O VIU PARTIR
COM APERTO NO PEITO DO TEMPO PERDIDO
COM ROSTO SOFRIDO SE PÕEM A CHORAR

E AO PERCEBER A FALTA DA MÃE
INDAGA SOLUÇANDO ONDE PODERIA ESTAR
E O PAI CABISBAIXO RESPONDE RECEOSO
DO CÉU, MEU FILHO, FOI ELA QUEM TE FEZ VOLTAR

Truco adelante !!

Mandar a la cria: sair sem rumo, sem preocupações
Piá: menino, guri
A lo largo: solto, liberto
Tordilho: pelagem de cavalo (branco com pintas pretas pequenas no lombo)
Chilena: um tipo esporas, artefato de metal, com formas de estrelas, utilizado para dominar o animal, utilizado nas botas
Fuzarca: bagunça, brincadeira
Tramar: trançar
Tentos: fios feitos de couro crú
Baio gateado: pelagem de cavalo - bege claro
Corredor: estrada

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Destino

Autor: Alexandre Faccioni Barcellos

QUEM CRÊ QUE NÃO HAI DESTINO SE ENGANA NO PENSAMENTO
SE ACHEGA PRO PÉ DO FOGO DEVAGAR E SORRATEIRO
E ALI A PAR DO BRASEIRO NUM CHÃO BATIDO E BEM TOSCO
JOGA DE LADO SEU PONCHO E FAZ POUSADA O ESTRADEIRO

CAMPEANDO ASSUNTO ENTRE CHARLAS PREVEJO A SITUAÇÃO
ATO ENTRE A PRIMA E O BORDÃO UM VERSO PRÁ ME EXPRESSAR
QUE DE TANTO ARROCINAR PAIXÕES AO LONGO DE ESTRADAS
ATRAVESSO AS MADRUGADAS CONTIGO NO MEU PENSAR

ESSE VENTO QUE ASSOBIANDO EMBALA ESSA MELENA
TRAZ TEU CHEIRO, FLOR DE MORENA, QUE LEVO JUNTO DE MIM
COMPONDO RIMAS SEM FIM QUE FLOREIAM ESSES MOMENTOS
SINCEROS E VERDADEIROS E SUAVES COMO O JASMIM

QUEM ME DERA DUVIDAR DO TROTE QUE ME PREGOU
ESSE TAURA QUE ENLAÇOU SEM O MEU CONSENTIMENTO
MEU CORAÇÃO NO MOMENTO QUE EU NÃO MAIS ACREDITAVA
QUE AMAR ME ASSUSTAVA POR TUDO QUE SE PASSOU

QUE CABORTEIRA ESSA LIDA DE LEVAR ESSES PESSUELOS
DE ANTEVER PESADELOS SEM AO MENOS TE FALAR
QUISERA EU TE MOSTRAR UM SENTIMENTO PRECIOSO
DE TODOS O MAIS VALIOSO QUE TRAGO A CARREGAR

COMO NÉVOA QUE LEVANTA, AO SOL QUEBRANDO GEADA
DE COXILHA E CANHADA NUM DIA APÓS O OUTRO
O SENTIMENTO ESPALHA E ME ENVOLVE FEITO CRIANÇA
E VIVE AINDA A ESPERANÇA NO DIA QUE SERÁS MINHA

ACENDIDA ESSA CENTELHA ACREDITO CADA VEZ MAIS
QUE O DESTINO A GENTE FAZ QUANDO VEM PARA ESSE MUNDO

truco adelante !!

Sorrateiro: com cuidado, matreiro, pela calada
Poncho: vestimenta tipica do Rio Grande, utilizado contra o frio e o vento
Estradeiro: viajante
Charlas: conversas informais
Prima: as cordas do violão com sons mais agudos
Bordão: nesse caso, as cordas do violão com sons mais graves
Melena: cabelos
Pessuelos: espécie de bolsa
Coxilha: acidente geográfico
Canhada: acidente geográfico do terreno

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Crioulo de toda estampa


Autor: Alexandre Faccioni Barcellos

EM LAVRAS, TERRA DO OURO
NUNCA ME SAI DA MEMÓRIA
ÉGUA TOSTADA LINDÓIA
A PRIMEIRA QUE ENCILHEI
DESDE LÁ NUNCA PAREI
MEU SAUDOSO PENSAMENTO
POIS DENTRO DE UM REGIMENTO
MEUS “PRIMEIRO PASSO” EU DEI

DESDE GURI FOI ASSIM
A LIDA MINHA FUZARCA
DESSES “PINGO” EU ERA A MARCA
DE TÃO GRUDADO QUE ANDAVA
TÃO SOMENTE NA RODADA
DO SEUS “LOMBO” EU APEAVA

E QUANDO EU VEJO UM PIAZITO
MONARCA SOBRE UM TUBIANO
ME FAZ REGRESSAR AO ANO
QUE ERA EU O GINETE
EU ATRAVESSO FRONTEIRAS
TANTO DE TEMPO E DE ESPAÇO
PRÁ ME LEMBRAR SEM CANSAÇO
DESSAS MINHAS BRINCADEIRAS

HOJE ASSENTO MEUS PELEGOS
EM UM BAIO CABOS NEGROS
CRIOULO DE TODA ESTAMPA

truco adelante !!

Tostada: pelagem do cavalo (avermelhada)
Pingo: apelido dado ao cavalo
Apeava: descia do cavalo
Tubiano: pelagem do cavalo ("cavalo de índio") com manchas pelo corpo
Baio de cabos negros: outra pelagem de cavalo - cinza, nesse caso com as patas pretas
Crioulo: raça de cavalo, muito forte e dócil, própria para o trabalho de campo

domingo, 14 de janeiro de 2007

"Ano novo"

Autor: Desconhecido
- se souberem a origem, me informem para que eu possa dar os créditos -

Por isso vivente te digo,
com esse meu jeitão rude,
que fiz tudo que pude.
Pra te dizer o que minha alma sente

queria ter te encontrado todos os dias,
ter te dito, buenos dias, buenas tarde, buenas noite e tudo mais,
mas, talvez nos vimos tão de pressa, no afazer das nossas tarefas.
Que nem isso aconteceu,pois o ano recém nasceu, e já está para acabar.

Mas peço ao tropeiro do universo, sim, ele que tudo pode,
que nos traga sentimentos nobres, de amor e amizade.
Que tenhas lembranças boas,por tudo que te aconteceu.
Que o menino que nesta data nasceu, nos ilumine todos os dias.

que renasça a alegria, para quem à perdeu.
Que se a caso não te aconteceu, tudo aquilo que queria.
Que não percas a alegria, o entusiasmo e a coragem,
a vida é uma viagem, mas é nós que escolhemos o caminho.

espere mais um pouquinho, e tudo vai acontecer.
Um novo ano vai nascer, deposite nele tua esperança.
Quem espera sempre alcança, diz o velho ditado.
Então, te desejo parceiro, junto com tua gente,
um Natal harmonioso, e um Novo Ano maravilhoso,
de conquistas, alegrias e realizações.

truco adelante !!

Ausência

Autor: Alexandre Faccioni Barcellos

DENTRE AS COISAS QUE FAÇO ÉS CONSTANTE EM PENSAMENTO
TE VEJO A TODO MOMENTO A POVOAR FANTASIAS
ILUSÓRIAS E ARREDIAS QUE MALTRATAM O CORAÇÃO
E EMBALAM VELHA CANÇÃO DO VENTO CONTRA O ALAMBRADO

QUISERA EU NOVAMENTE TE ACONCHEGAR EM MEUS BRAÇOS
ME ESQUIVANDO DOS BALAÇOS DA SAUDADE CABORTEIRA
INFIEL E MATADEIRA DOENÇA DENTRO DO PEITO
QUE ATIRA O TAURA AO SEU LEITO NUMA INTERNA SANGRIA

ESSA MALDITA SAUDADE NO MEU PEITO FEZ POUSADA
ESCRAVA DA MADRUGADA EM INCANSÁVEL INVESTIDA
QUE SENHORA NOSTALGIA DOS MOMENTOS QUE PASSAMOS
DE QUANDO NÓS PLANEJAMOS O RUMO DE NOSSA VIDA

O AMOR, O AMOR É COISA ESTRANHA QUE BRINCA COM CORPO E ALMA
É BÁLSAMO QUE TUDO ACALMA E AFLORA NUMA EXPLOSÃO
E MANTÉM O CORAÇÃO LIGADO A OUTRA PESSOA
COMO NOTA QUE RESSOA SONORA EM CADA CANÇÃO

truco adelante !!

Alambrado: Cerca de arame
Balaços: tiros
Caborteira: indomada (xucra), perigosa
Taura: gaúcho de muita coragem, valoroso

sábado, 13 de janeiro de 2007

13 de Janeiro de 2006

há exatamente um ano atrás, eu me tornava bacharel em informática. Posso garantir que a emoção que senti ao receber um diploma de graduação num curso superior foi repetido ontem, na formatura de um grande Amigo meu... o Cleverson, sou sincero ao dizer que em alguns momentos, igualmente no dia da minha formatura, tive que conter algumas lágrimas, pois quem passa por um momento ímpar e sublime desses sabe o quão dura e suada é a cotidiana rotina para quem almeja uma titulação.
Deixo aqui mais uma vez meus votos de sucesso aos formandos da info 2002, em especial ao meu parceiro de truco e Amigo.

Ainda faltam alguns remanescentes do NaBoa! Team pra esse momento, mas tenho certeza que esse dia também chegará !!

Truco adelante !!!

Definição

Atavismo, segundo o dicionário Houaiss da lingua portuguesa, na página 331:

do latim Atavus

1. Bio reaparição em um descendente de caracteres de um ascendente remoto e que permaneceram latentes por várias gerações;
2. Hereditariedade biológica de características psicológicas, intelectuais e comportamentais;
3. retorno a um estilo, uso, ponto de vista, enfoque, etc.